Machado de Assis, na sua fase realista, rompe com a linearidade narrativa e com a idealização romântica dos personagens. Em obras como "Dom Casmurro" e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", o autor utiliza a ironia e o pessimismo para analisar a alma humana e as convenções sociais da elite carioca. Machado é mestre em utilizar o narrador não confiável, obrigando o leitor a participar ativamente da construção da verdade literária, enquanto faz uma crítica profunda ao egoísmo, à vaidade e às aparências que sustentavam o Segundo Reinado.
Fonte: CANDIDO, Antonio. Vários Escritos. Duas Cidades, 1970.
A técnica narrativa machadiana que deixa dúvidas sobre a fidelidade de Capitu em "Dom Casmurro" é baseada no:
A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo definido feminino "a" ou com pronomes demonstrativos. O seu uso correto é fundamental para a clareza textual. Existem regras proibitivas claras, como a não utilização de crase antes de palavras masculinas, verbos ou pronomes de tratamento (exceto senhora e senhorita). Por outro lado, o uso é obrigatório em locuções adverbiais femininas que indicam tempo, lugar ou modo, como em "às vezes", "à tarde" ou "à beira de".
Fonte: SACCONI, Luiz Antonio. Nossa Gramática Teoria e Prática. Atual Editora, 2011.
Assinale a alternativa em que o uso do acento indicativo de crase está INCORRETO:
O Arcadismo, ou Neoclassicismo, floresceu no século XVIII como uma reação aos excessos ornamentais do Barroco. Inspirados pelo lema "Fugere Urbem" (fugir da cidade), os poetas árcades buscavam a simplicidade da vida no campo e o equilíbrio clássico. No Brasil, o movimento coincidiu com o ciclo da mineração em Minas Gerais, apresentando nomes como Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa. A natureza árcade é convencional e idealizada, servindo de refúgio espiritual para o homem das letras cercado pelas pressões da vida urbana e política.
Fonte: CANDIDO, Antonio. A Literatura e a Formação do Homem. Ed. Duas Cidades, 1993.
O lema árcade "Locus Amoenus" refere-se à:
A concordância nominal estabelece que os adjetivos, pronomes, numerais e artigos devem concordar em género e número com o substantivo a que se referem. No entanto, existem casos especiais que geram dúvidas frequentes, como o uso das palavras "anexo", "incluso", "bastante" e "meio". Por exemplo, quando "meio" funciona como advérbio (com sentido de um pouco), ele permanece invariável, enquanto como numeral, deve concordar com o substantivo.
Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Nova Fronteira, 2009.
Assinale a alternativa que apresenta erro de concordância nominal:
A língua portuguesa permite a criação de novos vocábulos através de diversos processos, sendo a derivação e a composição os principais. Na derivação sufixal, acrescenta-se um sufixo a um radical, alterando frequentemente a sua classe gramatical (como em "cearense", de Ceará + ense). Já na composição por aglutinação, ocorre a fusão de duas ou mais palavras com perda de integridade fonética. O domínio desses processos enriquece o léxico e auxilia na compreensão de neologismos técnicos e científicos.
Fonte: CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Lexikon, 2016.
A palavra "planalto" é formada pelo processo de:
O Barroco brasileiro reflete a tensão entre o sagrado e o profano, o espírito e a matéria, típica do homem do século XVII. Gregório de Matos, o "Boca do Inferno", destacou-se pela sua poesia satírica, que não poupava críticas à administração colonial e à hipocrisia da sociedade baiana. Já o Padre Antônio Vieira utilizava o sermão como ferramenta política e religiosa, defendendo os povos indígenas e os cristãos-novos. A estética barroca é marcada pelo uso de antíteses, paradoxos e pelo Cultismo (jogo de palavras) e Conceptismo (jogo de ideias).
Fonte: BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. Cultrix, 2015.
Uma característica fundamental do estilo Barroco mencionada no texto é:
Macunaíma, o "herói sem nenhum caráter", é a síntese do esforço de Mário de Andrade em criar uma obra que abraçasse a totalidade da cultura brasileira. Através da técnica da colagem, o autor mistura mitos indígenas amazônicos, lendas populares nordestinas e a agitação urbana de São Paulo. A obra rompe com a lógica temporal e espacial, apresentando uma linguagem que incorpora o "português falado", distanciando-se do academicismo luso para revelar uma identidade nacional múltipla, contraditória e em constante transformação.
Fonte: ANDRADE, Mário de. Macunaíma. Edição Crítica, 1928.
A característica de Macunaíma que melhor define a proposta da Primeira Fase do Modernismo brasileiro é: