Macunaíma, o "herói sem nenhum caráter", é a síntese do esforço de Mário de Andrade em criar uma obra que abraçasse a totalidade da cultura brasileira. Através da técnica da colagem, o autor mistura mitos indígenas amazônicos, lendas populares nordestinas e a agitação urbana de São Paulo. A obra rompe com a lógica temporal e espacial, apresentando uma linguagem que incorpora o "português falado", distanciando-se do academicismo luso para revelar uma identidade nacional múltipla, contraditória e em constante transformação.
Fonte: ANDRADE, Mário de. Macunaíma. Edição Crítica, 1928.
A característica de Macunaíma que melhor define a proposta da Primeira Fase do Modernismo brasileiro é:
A intertextualidade ocorre quando um texto retoma elementos de outro texto já existente, estabelecendo um diálogo que pode ser de confirmação, paródia ou estilização. Na literatura cearense contemporânea, muitos autores dialogam com a obra de José de Alencar, seja para exaltar os mitos fundadores ou para desconstruir a visão romântica do indígena e da natureza. Entender esse mecanismo é fundamental para a interpretação de textos que exigem do leitor um conhecimento prévio de mundo e literário.
Fonte: KOCH, I. V. O Texto e a Construção dos Sentidos. Contexto, 2012.
Quando um autor utiliza a estrutura de um texto clássico para criar uma nova obra com tom humorístico e contestador, mantendo a forma original mas alterando o sentido, ocorre uma:
"A literatura de 30 no Nordeste não buscou apenas o pitoresco ou o folclórico, mas a denúncia das estruturas agrárias arcaicas. Em Vidas Secas, Graciliano Ramos utiliza uma linguagem despojada para mostrar a animalização do homem pela fome. No Ceará, essa mesma força social aparece na obra de Rachel de Queiroz, onde a seca não é apenas um cenário, mas um personagem que molda o destino das pessoas e redefine as relações de poder e sobrevivência no sertão."
Fonte: BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. Cultrix, 2015.
O termo "animalização" mencionado no texto, típico da estética da Geração de 30, refere-se ao processo de:
"O falar cearense é um patrimônio cultural que vai além do vocabulário, englobando uma entonação e um ritmo próprios. Expressões como ‘rebolar no mato’ (jogar fora), ‘frescar’ (fazer brincadeira) ou ‘abestado’ (tolo) são exemplos de como a língua é viva e se adapta regionalmente. O preconceito linguístico, no entanto, ainda marginaliza falantes que utilizam essas variantes em contextos formais, ignorando que não existe variação superior a outra do ponto de vista linguístico." (Fonte: Adaptado de MONTEIRO, José Lemos. O Português do Ceará. Ed. UFC, 2000).
Sobre as variações linguísticas regionais abordadas no texto, é correto afirmar:
"O Cortiço, de Aluísio Azevedo, é o exemplo máximo do Naturalismo brasileiro. Nele, o meio, a raça e o momento histórico determinam o comportamento dos personagens, que são frequentemente comparados a animais (zoomorfização). No Ceará, essa estética encontrou eco em obras como A Fome, de Rodolfo Teófilo, que descreve os efeitos degradantes da seca sobre o organismo humano, tratando o retirante não como herói, mas como uma vítima biológica das condições extremas do semiárido." (Fonte: CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. Ouro sobre Azul, 2012).
A partir da relação estabelecida entre as obras citadas e a estética naturalista, é correto afirmar que o Determinismo prega que:
O romance "O Quinze", de Rachel de Queiroz, publicado em 1930, é uma das obras mais contundentes da literatura brasileira. Ao narrar a seca de 1915, a autora não se limita à descrição do fenômeno natural, mas mergulha na análise social da miséria e da migração forçada. A obra equilibra o foco na família de retirantes de Chico Bento com a história de Vicente, um proprietário de terras que tenta lutar contra a natureza. Rachel de Queiroz rompe com a visão romântica do sertão, apresentando uma narrativa seca, direta e profundamente marcada pelo determinismo social.
Sobre a obra "O Quinze", é correto afirmar que ela se insere no:
A publicidade moderna utiliza-se frequentemente de recursos estilísticos para seduzir o consumidor e fixar a marca no imaginário coletivo. Em uma recente campanha sobre conscientização ambiental no Ceará, lia-se a seguinte frase: "O sertão pede socorro, as nuvens choram a seca e a terra racha de sede". O autor, ao atribuir características e sentimentos humanos a seres inanimados ou irracionais, busca sensibilizar o leitor através de um impacto emocional mais profundo sobre a realidade do clima regional.
A figura de linguagem predominante no trecho citado é a:
TEXTO DE APOIO: "Alô? Estás a ouvir-me? A ligação está muito ruim, parece que o sinal caiu aqui no Cariri. Estás aí?"
Nesse diálogo, predomina a função da linguagem focada em testar o canal de comunicação, denominada:
TEXTO DE APOIO: "Além, muito além daquela serra, que ainda azuliza no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que o talhe da palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado." (José de Alencar).
A obra Iracema é uma alegoria da formação da identidade brasileira. No contexto do Romantismo cearense, a personagem principal representa:
TEXTO DE APOIO: "A Padaria Espiritual, agremiação literária fundada em Fortaleza em 1892, é considerada por muitos historiadores como uma precursora do movimento modernista no Brasil. Com seu jornal ‘O Pão’, os ‘padeiros’ criticavam o academicismo e propunham uma literatura mais próxima da realidade local e do humor, antecipando em décadas algumas das bandeiras da Semana de Arte Moderna de 1922."
Sobre a Padaria Espiritual, é correto afirmar que seu principal objetivo era: