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"O pavão é um arco-íris de plumas" (Rubem Braga).

Fonte: BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Record, 1993.

Na frase de Rubem Braga, a transposição de significado baseia-se em uma relação de semelhança implícita entre o pavão e o arco-íris, sem o uso de conectivos comparativos (como a palavra "como"). Essa estrutura sintático-semântica constitui uma:

"Desculpem-me, mas a nossa língua portuguesa é uma das mais difíceis do mundo. Senão, vejamos: um rapaz dizia para a namorada que estava com uma dor de cabeça terrível. A moça, penalizada, sugeriu: 'Toma um analgésico'. Ele tomou, mas a dor continuou. No dia seguinte, ela perguntou: 'E a dor?'. E ele: 'Sumiu'. Ela, então, concluiu: 'Viu? O analgésico assistiu você!'. O rapaz, que era professor de português, corrigiu na hora: 'Não, meu bem. O analgésico me ajudou, quem me assistiu foi o médico, pois o verbo assistir no sentido de dar assistência é transitivo direto, mas na fala informal...'. A moça interrompeu: 'Olha, se a sua dor de cabeça voltou, o problema é seu!'."

Fonte: ANTUNES, C. Língua e cotidiano. São Paulo: Contexto, 2010 (Adaptado).


No texto, a fala do namorado (professor de português) foca nas regras de regência do verbo "assistir" para explicar o sentido correto da palavra. Essa atitude de usar a língua para explicar a própria língua ou suas regras caracteriza predominantemente a:

Texto I

"É melhor ser alegre que ser triste A alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza É preciso um bocado de tristeza Senão, não se faz um samba não..."

SOUZA, E. Samba da bênção. In: O poeta da Vila. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982.


Texto II

O samba da bênção, de Vinicius de Moraes, apresenta uma marca da oralidade muito comum no português do Brasil, que é a supressão do "para" em favor do "pra" ("Mas pra fazer um samba com beleza"). Embora amplamente aceita no cotidiano e na música popular, a norma-padrão da língua recomenda o uso da forma plena em contextos formais.


Considerando o fenômeno da variação linguística retratado nos textos, o uso da forma "pra" no Texto I é um recurso que:

Morte



    Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?


    Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.


   A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.


   Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.


  Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?


   Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.


  Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.


   (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025)


Morrer cedo é uma transgressão. Dadas as palavras a seguir, escreve-se com SS:

Morte



    Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?


    Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.


   A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.


   Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.


  Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?


   Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.


  Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.


   (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025)

Indique a alternativa em que haja erro de regência nominal.

O fiel amava a Deus sobre todas as coisas e dedicava seus dias à caridade e ao auxílio aos necessitados da sua paróquia. No trecho em destaque, o uso da preposição antes do objeto direto justifica-se por:
À medida que as cidades crescem sem planejamento, os problemas de mobilidade urbana e saneamento básico tornam-se mais graves e difíceis de resolver. A verticalização excessiva sem infraestrutura de transporte é um erro comum. A locução destacada estabelece uma relação de:
Neste ano, esperamos que a economia brasileira apresente um crescimento superior a 3%, impulsionada pelo setor de agronegócios e exportações. Em contraste, naquele período da década de 80, a inflação corroía o poder de compra da população. O uso dos pronomes destacados justifica-se pois:
O céu parecia carregado de nuvens escuras pouco antes da tempestade desabar sobre a pequena vila de pescadores. Todos correram para proteger os seus barcos no porto. Na oração, o verbo destacado exerce a função de:
O ato de envelhecer é um processo biológico inevitável, mas a forma como lidamos com o passar dos anos pode ser influenciada por fatores psicológicos e sociais. Ter uma vida ativa ajuda a manter a saúde mental. A palavra destacada foi formada pelo processo de:
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