Campanha de trânsito: 'O motorista que corre do perigo foge da vida'."
A construção sintática do slogan acima gera um duplo sentido proposital (ambiguidade) focado na regência da expressão "corre do perigo". Dependendo da interpretação, o motorista pode estar fugindo do perigo ou indo rapidamente em direção a ele. Para evitar a ambiguidade e manter apenas o sentido de "ir rápido em direção ao perigo", a estrutura deveria ser alterada para:
"Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para evitar doenças crônicas. No entanto, a rotina exaustiva de trabalho e o consumo de alimentos ultraprocessados dificultam a manutenção desses hábitos pela maior parte da população brasileira."
No fragmento de texto, a expressão em destaque "No entanto" estabelece uma relação de sentido essencial para o encadeamento das ideias. Esse conector possui valor:
"O pavão é um arco-íris de plumas" (Rubem Braga).
Na frase de Rubem Braga, a transposição de significado baseia-se em uma relação de semelhança implícita entre o pavão e o arco-íris, sem o uso de conectivos comparativos (como a palavra "como"). Essa estrutura sintático-semântica constitui uma:
"Desculpem-me, mas a nossa língua portuguesa é uma das mais difíceis do mundo. Senão, vejamos: um rapaz dizia para a namorada que estava com uma dor de cabeça terrível. A moça, penalizada, sugeriu: 'Toma um analgésico'. Ele tomou, mas a dor continuou. No dia seguinte, ela perguntou: 'E a dor?'. E ele: 'Sumiu'. Ela, então, concluiu: 'Viu? O analgésico assistiu você!'. O rapaz, que era professor de português, corrigiu na hora: 'Não, meu bem. O analgésico me ajudou, quem me assistiu foi o médico, pois o verbo assistir no sentido de dar assistência é transitivo direto, mas na fala informal...'. A moça interrompeu: 'Olha, se a sua dor de cabeça voltou, o problema é seu!'."
No texto, a fala do namorado (professor de português) foca nas regras de regência do verbo "assistir" para explicar o sentido correto da palavra. Essa atitude de usar a língua para explicar a própria língua ou suas regras caracteriza predominantemente a:
Texto I
"É melhor ser alegre que ser triste A alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza É preciso um bocado de tristeza Senão, não se faz um samba não..."
Texto II
O samba da bênção, de Vinicius de Moraes, apresenta uma marca da oralidade muito comum no português do Brasil, que é a supressão do "para" em favor do "pra" ("Mas pra fazer um samba com beleza"). Embora amplamente aceita no cotidiano e na música popular, a norma-padrão da língua recomenda o uso da forma plena em contextos formais.
Considerando o fenômeno da variação linguística retratado nos textos, o uso da forma "pra" no Texto I é um recurso que:
Morte
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Morrer cedo é uma transgressão. Dadas as palavras a seguir, escreve-se com SS:
Morte
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Indique a alternativa em que haja erro de regência nominal.